5 dados para entender o apagão hídrico de São Paulo

As imagens abaixo mostram o drama da água na Região Metropolitana de São Paulo. Em 2011, o sistema Cantareira, principal manancial que abastece a capital e municípios do entorno, estava cheio. Três anos depois, minguou. Como chegamos a esta situação? Abaixo, veja 5 dados que ajudam a iluminar a questão.

Antes – 28 de setembro de 2011 Depois – 3 de agosto de 2014

Imagens do satélite Landsat 8 do reservatório Jacareí-Jaguari, o principal do Cantareira. No dia 3 de agosto de 2014, já estávamos usando a primeira reserva técnica. A soma desta reserva com o volume útil representava 15%  do volume total. Três meses depois, o volume total é de 11,9%, já somada a segunda reserva técnica.

1 – Oferta de água é insuficiente

Antes da crise atual, já era sabido que São Paulo precisava de novas fontes de abastecimento de água. Em 2010, o Atlas Brasil do Abastecimento Urbano de Água, da Agência Nacional de Águas (ANA), avaliava que os sistema Cantareira e Guarapiranga requeriam novos mananciais e o Alto Tietê teria que ser ampliado até 2015, para garantir o suprimento de água. Uma curiosidade: o diagnóstico foi feito em um momento de bonança. O Cantareira chegou ao recorde de 100% de volume útil em 2010. Veja abaixo o raio-X de São Paulo feito pela ANA naquele ano:

ANA Atlas Agua

Veja mais no site do Atlas da ANA

 

2 – 54% do abastecimento de São Paulo depende do Cantareira

Ainda segundo o Atlas da ANA, mais da metade da água da cidade de São Paulo tem origem no sistema Cantareira. A alta dependência torna o abastecimento vulnerável a momentos de crise no manancial. É o que está ocorrendo agora. Outros 30% provêm do sistema Guarapiranga e 11% do Alto Tietê. O Guarapiranga terminou outubro com um volume de 39,6% e o Alto Tietê com 6,6%.

 

3 – Último período chuvoso no Cantareira teve 46% menos água que a média

De setembro de 2013 a março de 2014, choveu 675 milímetros no sistema Cantareira. A média para este período registrada desde 2003 é de 1262 milímetros. No gráfico abaixo, o espaço branco entre a linha (média histórica) e as colunas (valor verificado) mostra o cenário da seca.

4 – Nível do Cantareira iniciou a queda livre em 21 de abril de 2013

5 – Retirada de água do Cantareira foi reduzida tarde demais

A vazão do sistema Cantareira só foi reduzida de fato em março de 2014. Foi quando começou a valer o bônus da Sabesp, o desconto de 30% na conta dos consumidores abastecidos pelo Cantareira que diminuem o consumo em pelo menos 20%. Já era tarde. Naquela altura, o nível do reservatório era o mais baixo registrado até então (a série histórica começa em 1982). Além disso, estava chegando o final do verão e da probabilidade de chuvas.

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